Educação, pioneirismo e ousadia a serviço de Buerarema.

Ao som dos movimentos iniciais de uma orquestra de tocava “O Guarani”, de Carlos Gomes, sublimemente é conduzida, pelo mediador Anderson Andhy, ao palco do teatro da Casa de Cultura Jonas e Pilar, a distinção feminina da educação bueraremense, a Professora Aflaudísia Souza. 

Sua primeira fala foi de gratidão a Deus pela vida, pois não havia imaginado se transformar na professora-referência em que se tornou.
 

“Dificuldades que teve para se firmar como uma mulher educadora nos idos de 1950, de enfrentar os espaços e situações, trabalhos realizados sem reconhecimento”, tudo isso fortalecera a sua personalidade e sua condução nos espaços de poder das instituições pelas quais passara.

Como em uma viagem fotográfica, nos conduzira por espaços, pessoas, gentes, figuras, nomes, situações, suspiros, sorrisos, desejos, projeções, compartilhamentos, mas acima de tudo isso: histórias.

Ao descrever detalhes sutis e ricos, tendo como seu colaborar onisciente, o professor Jidebaldo Sousa, nossa viagem coletiva fez esse passeio histórico quase se materializara no presente.
 

Passeamos pela Semana da Criança, realizada pelas escolas de Buerarema, em que havia palestras, no Grupo Escolar Otávio Mangabeira (atual CRAS), e apresentações lúdicas, teatrais, com mosquitinhos, abelhinhas, notas musicais, bonequinhas (tudo dito com muito carinho no diminutivo mesmo), ficou evidente que havia muito apoio das famílias para a realização de tais festividades.
 

“Aqui, havia muitas lojas pra se comprar fazendas (tecidos)”, dizia com o orgulho exultante de bueraremense. Professoras tornavam-se coreógrafas; musicistas, filantropos; mães e costureiras,  artistas solidárias.  As festas eram verdadeiros eventos sociais, arrebanhavam gentes de todas as “idades, credos, cores, etc”. O Governador Mangabeira, por conta do sucesso anual da atividade pedagógica, a essa altura já se tornara pequeno demais para receber tanta gente; “mudamos para o Cine Juracy (Cine Maracanã) para que todos coubessem no espaço. No palco, índios, negros, católicos e gente de axé conviviam harmônica e artisticamente”. Nesse instante a professora Aflaudísia cantarola maviosamente uma canção em homenagem aos Povos de Terreiro, relembrando sobre o convívio pacífico que havia. 
 

Relembra a importância e companheirismo da Professora Dalmira na realização de inúmeras atividades pedagógicas, culturais e administrativas que juntavam as escolas Castro Alves (regida pela Professora Aflaudísia, particular) e a Tiradentes (regida pela professora Dalmira, municipal).

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Relembra uma destas festas em que o Sr. Gumercindo, administrador local, convidara um inspetor educacional para visitar as escolas, que celebrava de forma coletiva a entrega de resultados finais, quando, para sua surpresa, o mesmo proibira de que fossem realizadas tais festividades de forma conjunta por considerar a escola particular (Castro Alves) como clandestina, ressaltando a participação decisiva do Pastor José de Freitas Ramos na condução do processo para efetivação, regulamentação e registro definitivo da escola.  

Passeando pelas imagens, lembra e qualifica como essenciais à educação municipal as professoras Aurora, Dida, Deronice, Ivone Berti; os professores do Ginásio Henrique Alves, Washington e Wilson Sá, Juarez Alves.
 

Descreve a condição de professora preocupada com o Civismo, permitindo que de seu arquivo pessoal de fotografias saltassem imagens da Banda Marcial do Enedina Oliva, dos Pelotões de Bandeiras masculino e feminino, nos desfiles de Sete de Setembro.

Pela compreensão da dimensão de formação religiosa, as escolas promoviam a Semana da Bíblia, Primeira Comunhão, dentre outras ações.
 

Com a participação do público, após ser indagada sobre a sua postura de defensora do civismo em Buerarema, apresenta argumentos que considera que hoje há nos espaços a perda dessa condição, tornando-se decadentes, e ao citar Olavo Bilac , recita “ A Pátria” como resposta às indagações, Cita Dona Sinhô, como a professora pioneira da primeira escola do Povoado de Buerarema (ainda pertencente à Tabocas).

Nostalgicamente, compartilha momentos íntimos de quando ia estudar com os irmãos na cidade, na escola da Professora Guilhermina Cabral, (1ª professora municipal concursada),saindo da Fazenda Conceição,  com os sapatinhos nas mãos, quando certa vez tomara um “banho de lama” por conta de um caminhão que passara pela estrada ainda não pavimentada (BR101).
 

Relembra a professora Enedina Oliva, com a Escola Mista de Macuco, algo inusitado, em que homens e mulheres podiam estudar conjuntamente. Depois as Escolas Reunidas e a fundação do Ginásio Henrique Alves, em 1963, ao rememorar a condução do sonhador comunitário pernambucano, Felipe Thiago Gomes, na implantação do projeto das Escolas Cenecistas Comunitárias.
 

Saindo da plateia, um relato emocionante, da ex-aluna Susana Sanjuan, fala acerca da base educacional que teve ao passar pelo Enedina Oliva, escola em que a professora Alfaudísia fora diretora por décadas. 

Finalizando, ao ser indagada pelo mediador, sobre qual história de todas as que vivera, seria a que destacaria, de pronto e efusivamente falou sobre Pastor Freitas – professor, pastor, advogado insigne bueraremense. pelo qual nutria uma devotada admiração.

Professora Aflaudísia, referência para nós de tudo quanto é coisa boa que Buerarema pode produzir. (In Memorian)

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Anderson Guimarães

Professor, Licenciado em Letras , Bacharel em Direito, Especialista em Leitura e Produção Textual. Especialista em Sexualidade Humana e Linguagem ,
Mestrando em Ciências Políticas, Gestor Cultural e Pós-graduando em Gestão Cultural.
Ator, Diretor, Produtor de Teatro, Produtor Cultural.                                                   Colaborador da Casa de Cultura Jonas & Pilar – Buerarema-BA,
Conselheiro do Instituto Macuco Jequitibá – Buerarema- BA e
Diretor-fundador de grupo de teatro A Tribo – Arte e Sensibilidade